
Escrever sobre Roberto Carlos, no dia do seu aniversário de 70 anos. Em um momento de sofrimento pela perda da filha. Não são corretos qualquer festejo. Hoje seria um dia para se agradecer e celebrar, de forma extensa e plena. Mas o justificado respeito ao luto se impõe. Coloco então aqui, de forma pessoal, a gratidão. Fiz, por conta da efeméride próxima, um passeio, semana passada, pela Rua do Matoso. Parte da minha infância transcorreu por lá (na década de setenta) e era eletrizante, para nós garotos, estarmos no ¨local-núcleo-criador¨ da Jovem Guarda e outros movimentos. Pensávamos na amizade de Erasmo e Roberto, em Carlos Imperial, em Jorge Ben (sem o Jor), em Tim Maia, e tantos outros. Em compartilhar histórias com testemunhas oculares. Dançar nos clubes com as pistas originais, beber as cervejas e saborear os petiscos companheiros de uma época (hoje o famoso bar da esquina se transformou em uma casa de sucos, muito bons por sinal). Tinhamos plena consciência do quão tijucano era tudo aquilo. Quando escutávamos os discos (e ainda escutamos, cada vez mais) sabíamos o quanto aquele perímetro Estácio - Praça da Bandeira - Haddock Lobo e a Rua do Matoso (como eixo) se continha presente em cada verso e acorde. No show do Maracanã (no ano passado), nós, os velhos garotos criados nas portas da Grande Tijuca, sabíamos que as lágrimas felizes nos olhos dos amigos Roberto e Erasmo estavam conscientes de que a celebração estava bem próxima das calçadas onde o batalhar, sonhar e criar fôra feito em ruas cuja a aparente simplicidade guardava o brilho que só grandes seres humanos são capazes de entender e cantar. Pois o dom desse aniversariante é, para cada interpretação, deixar clara a verdade de que a arte está fundamentada no sentimento de um homem bom. Parabéns à esse Rei. Paz para a sua dor. E um abraço que jamais poderá ser mais forte que o do grande Erasmo, mas possui a mesma sinceridade, combinada ao muito obrigado desse moleque da Matoso que, junto com outros amigos, cantava suas músicas enquanto esperava filmes no velho Comodoro. Velhos tempos, Velhos dias. Sim, parabéns, Roberto, e muito obrigado!
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